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1 de mai de 2013

Luciano Pavarotti!

Em 2007 perdemos Luciano Pavarotti. Eu fiz uma homenagem póstuma a ele no nosso antigo blog, e agora re-posto o trabalho que feliz, revisado. Foi um de meus textos mais lidos. Vou deixar os comentários e as minhas respostas. Espero que gostem... Luciano Pavarotti - 12 de Outubro de 1935 à 06 de Setembro de 2007.


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Nascido e Criado...


Luciano Pavarotti nasceu no dia 12 de outubro de 1935, na cidade de Modena, no centro-sul da Itália. Seu pai, Fernando Pavarotti, era um padeiro, e também cantor. Segundo Luciano, tinha uma bela voz de tenor. Mas nunca seguiu carreira, pois tinha um comportamento muito ansioso. Sua mãe, Adele Venturi, era uma operária numa fábrica de cigarros.


Pouco se fala da infância de Pavarotti. Mas sabemos que ele era pobre. Por ocasião de seu nascimento, eles moravam num imóvel com 2 cômodos. Em 1943, por causa da Segunda Grande Guerra, sua família teve que mudar para o interior. Então, eles alugaram uma casa com um único cômodo, numa fazenda. Foi aí que o pequeno Luciano passou a se interessar pelas coisas do campo.

As primeiras influências musicais do tenor foram os grandes tenores da década de 40, aos quais ele tinha acesso através dos discos de seu pai. Nomes como: Beniamino Gigli, Giovanni Martinelli, Tito Schipa e Enrico Caruso. Por volta dos nove anos, ele começou a cantar no coro de uma igreja local, com seu pai.

Depois de uma infância normal, permeada pelo interesse natural pelos esportes - em especial o futebol -, Pavarotti se formou na escola de magistratura e teve que enfrentar a difícil tarefa da escolha de profissão. Ele queria se dedicar ao futebol, como goleiro. Mas sua mãe o convenceu que ser professor era melhor. E, durante dois anos, ele deu aulas numa escola elementar. E esse tempo foi o necessário para que a música virasse o maior de seus interesses, e ele decidisse mudar de carreira. Seu pai concordou com sua escolha. Mas fez um acordo: ele teria tempo e disponibilidade de tentar uma carreira artística até os 30 anos. Depois disso, se não tivesse alcançado o sucesso, teria que desistir, e trabalhar com qualquer outra coisa que lhe desse sustento.

Então, o jovem começou a estudar música com seriedade, com Arrigo Pola - respeitado professor e tenor de Modena -, que ofereceu ensinar-lhe de graça. Antes dessas aulas, Pavarotti não sabia que tinha ouvido absoluto (capacidade de identificar e cantar qualquer nota, sem uma referência prévia). Eram muitas descobertas que indicavam que ele estava no caminho certo.


A nova carreira...

Em 1955, cantando no Coral Rossini, um grupo de vozes masculinas que atuava em Modena, nosso tenor experimentou a primeira sensação de vitória. O grupo ganhou um prêmio internacional de coros naquele ano. Nesta mesma época, ele conheceu sua futura esposa, Adua Veroni - uma cantora de ópera. O casamento ocorreu em 1961. Quando Arrigo Pola se mudou para o Japão, Pavarotti então foi ter aulas com Ettore Campogalliani, que também era professor de uma amiga de infância, Mirella Freni.

Durante todo o tempo em que esteve estudando música, Pavarotti mantinha empregos em tempo parcial, para se sustentar. O primeiro, como já vimos, como professor do ensino elementar. Depois desse, ele passou a ser um corretor de seguros. Nos seis primeiros anos de estudo, ele conseguiu apenas alguns recitais e todos eles não remunerados. Depois que um nódulo se desenvolveu em suas cordas vocais, e ocasionou uma apresentação ruim em Ferrara, Luciano desistiu da carreira musical... Esta decisão representou um alívio psicológico muito grande. Automaticamente, tudo se clareou. O nódulo se curou e todo o aprendizado anterior passou a fazer sentido, e finalmente servir para realçar sua voz natural.


Decolando...

Bom, então, no fim, ele não desistiu de verdade!!! Em abril de 1961 ele fez sua estréia numa ópera. Interpretou Rodolfo, na peça La bohème, no teatro municipal de Reggio Emilia, cidade ao norte da Itália. Mas, 1963 foi o ano da diferença. Logo no início, ele foi chamado para ser Rodolfo de novo, mas, desta vez, na Ópera de Vienna. No mesmo teatro, alguns meses depois, ele foi Duca di Mantova, na peça Rigoletto. No mesmo ano ele estreou na Royal Opera House, Substituindo Giuseppe di Stefano, como Rodolfo.

O jovem Pavarotti, ao lado de Joan Sutherland e Spiro Malas, 
em La Fille du Regiment (Donizetti)

O sucesso começava a bater em sua porta. Mas não era nada, comparado ao que viria mais tarde em sua vida. Por intermédio de seus amigos, Pavarotti acabou conhecendo Joan Sutherland. A altura (literalmente) do tenor impressionou a cantora. Ele certamente era uma figura imponente no palco. Assim, foi convidado a participar da turnê da artista, sendo conduzido também pelo marido dela - Richard Bonynge. Pavarotti creditou, mais tarde, à cantora, sua técnica respiratória... Ela o teria ensinado.

Em 1965, o tenor fez sua estréia na América, ao lado da amiga Joan Sutherland. Os dois cantaram juntos na Grande Ópera de Miami, a peça Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti. Notem que o papel não era de Luciano, originalmente. O tenor que iria fazê-lo ficou doente, e não dispunha de substituto. Como Joan estava em turnê com Pavarotti, o indicou para o papel, dizendo que, por vê-la ensaiar com freqüência, ele estava familiarizado com a peça. E, sem ensaios prévios, o tenor assumiu a incumbência.



Naquele mesmo ano, Pavarotti estreou na casa La Scala, em Milão, novamente com a peça La Bohème, numa adaptação famosa de Franco Zeffirelli. Desta vez, Mirella Freni estava com ele. O condutor da peça só aceitou trabalhar na produção depois que o nome de Luciano foi confirmado.

Mais algumas performances em casas importantes, neste ano e no seguinte, acabaram por render a Luciano Pavarotti o título de "Rei do Dó Maior".


Outro triunfo foi a apresentação em 1969, em Roma, da peça I Lombardi, ao lado de Renata Scotto. Esta apresentação foi gravada, e largamente distribuída. Assim como outras, da mesma época.

Em 1972 ele conseguiu o triunfo na América. A peça La fille du Régiment foi foi brilhantemente apresentada por ele no Metropolitan Opera, de Nova York. Depois de alcançar nove dós maiores, ele foi chamado 17 vezes ao palco, para ser ovacionado.

Em 1977 ele gravou o primeiro especial para TV. Depois disso, o mundo já conhecia Pavarotti. Ganhou vários Grammys e outros prêmios por suas apresentações e gravações.

Ele é pop...

No começo dos anos 80 ele estabeleceu um concurso de vozes para jovens talentos. Os vencedores tiveram a honra de se apresentar com ele, em 1982. O segundo concurso comemorava os 25 anos de sua carreira. Por isso, os vencedores de 1986 foram se apresentar com ele na Itália e na China. Os concursos continuaram... Em 1997, os vencedores se apresentaram com Pavarotti nos Estados Unidos. O sucesso continuava. O tenor continuou em turnê pelas principais Óperas do mundo.


Em 1990, Luciano se tornou ainda mais conhecido pelas massas depois que sua interpretação de Nessun Dorma virou o tema da cobertura da copa do mundo, pela BBC. Esta aria se tornou logo sua marca registrada. No encerramento da copa houve a reunião de Pavarotti com mais dois grandes tenores - Plácido Domingo e José Carreras - no projeto "Os Três Tenores". esta viria a ser a gravação clássica mais vendida de todos os tempos.

Em 1992, de volta à casa La Scala, Pavarotti interpretou a peça Don Carlo, mais uma vez numa adaptação de Zeffirelli. Foi a primeira apresentação negativamente criticada pela audiência. Ele foi inclusive vaiado em algumas partes da ópera. Ele nunca mais cantou naquela casa.

Plácido Domingo, Jose Carreras e Luciano Pavarotti.


Com Mariah Carey.
Durante os anos 90, o tenor protagonizou bem sucedidos concertos ao ar livre pelo mundo, sempre levando a música erudita às massas. Foi nesta década também que ocorreram os duetos com artistas populares, para causas humanitárias. Pavarotti viajou o mundo, instruindo o povão, mostrando boa música e provando que não havia barreiras de estilo. Tudo era possível.

Infelizmente, nem tudo são flores. Ele também ganhou um título amargo: "o Rei dos Cancelamentos". Ele tinha a fama de cancelar suas apresentações com mais freqüência do que comparecer a elas. Isto ficou mais evidente depois que foi divulgado o fim do bom relacionamento entre a Ópera de Chicago e o tenor. Em 15 anos de agendamentos, Luciano havia cancelado 21 aparições, das 46 marcadas na casa. Todos os cancelamentos foram justificados. O último, que teria sido o pivô do fim das boas relações, foi atribuído a um problema do nervo ciático.

No dia 12 de dezembro de 1998, o cantor se tornou o primeiro de ópera a se apresentar no programa "Saturday Night Live", com a cantora Vanessa L. Williams. Neste mesmo ano ele foi presentado com um prêmio especial do Grammy. Se eu bem me recordo, ele não compareceu, alegando estar doente.... hahaha Aretha Franklin cantou uma peça no lugar dele...

O trono...

Em 2002, Pavarotti demitiu seu empresário de 36 anos. Herbert Breslin não se calou. Em 2004 escreveu um livro intitulado "O Rei e Eu", onde falava dos problemas da apresentação de óperas, da inabilidade de Pavarotti para ler partituras e seus problemas pessoais, embora reconhecesse seu talento natural... Em entrevista para a BBC, em 2005, o tenor negou a maior parte das alegações do ex-empresário, reconhecendo apenas se atrapalhar um pouco na leitura das partes da orquestra, nas partituras...

Na primeira metade da década ele trabalhou bastante. Se apresentou em vários locais. Sua última apresentação foi no dia 13 de março de 2004, no Metropolitan Opera, de Nova York. Ele até agendou uma turnê inteira, para o ano seguinte, que seria uma despedida dos palcos... E nela incluiu algumas apresentações do projeto "Os Três Tenores". Mas nada disso aconteceu. Em março de 2005 ele teve que passar por uma cirurgia para reparar algumas vértebras  Em Junho, cancelou uma apresentação com os amigos tenores, aparentemente por causa de uma laringite.


Em 2006 ele fez uma bela apresentação, logo no início do ano, na abertura das Olimpíadas de Inverno, na Itália. Parecia que ia ser um ano normal. Mas, em março, fez outra cirurgia de coluna. Contraiu uma infecção hospitalar, e alguns shows que estavam agendados na América foram cancelados... Desta vez ele tinha realmente um motivo. Ele tentou de novo realizar a turnê de despedida. Segundo semestre de 2006. Logo nos primeiros shows, precisou fazer exames, por sentir dores. Foi diagnosticado com câncer pancreático. Ele operou, e tentou lutar contra o câncer, fazendo planos de terminar sua turnê.

Infelizmente não conseguiu se recuperar, lutou contra a doença por mais de um ano, e faleceu no dia 6 de setembro de 2007. Ele teria se reconciliado com a igreja católica romana pouco antes de morrer, e recebeu o santo sacramento.

Pavarotti foi homenageado naquele dia em todas as casas de ópera em que cantou, e também na igreja da cidade onde nasceu... Deixou quatro filhas e uma neta, e estava casado pela segunda vez, com Nicoletta Mantovani.


Seu legado para a música como um todo é inegável. Isso dito por uma moça que assistiu espantada e emocionada a apresentação de três velhos eruditos no encerramento de uma Olimpíada. O que passava na cabeça daquela então menininha? 'Whoa! Isso é que é cantar!'

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Bom gente, desta vez fui mais breve. Aqui está uma boa biografia de um ícone da música. Com certeza falaremos mais sobre ele, em outras ocasiões... Prometo tentar organizar uma discografia (embora ache difícil de conseguir) e também vou falar um pouco mais sobre a vida pessoal e as obras de caridade. Isso se eu conseguir achar registros confiáveis deste material todo. Mas não custa tentar, não é?


Por enquanto vocês ficam com a seleção de vídeos que eu pesquei no Youtube, várias apresentações, em vários momentos diferentes, do Pavarotti - e eu agradeço a todos os usuários que os postaram - no blog Addicted to Music. E eu vou ter que recomendar dois links do youtube também. São dois shows do Pavarotti. Um de 1982, shamado 'The Essential' - com agradecimentos ao usuário InnorecordsCM (Vale à pena conferir a coisa toda); e outro show, lançado em 2007, chamado Pavarotti Forever - com agradecimento à elencush.





Beijos da JulyN

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